Planejamento e mobilidade urbana

Conforme as cidades vão se tornando mais populosas ocorrem desdobramentos, positivos e negativos, deste crescimento. Importante destacar que é um movimento demográfico natural dos países, com crescimento vegetativo positivo, e não podemos combater com restrições urbanísticas.

Em algum momento do futuro, quando nossa população parar de crescer nossas cidades também pararão. Se aumentarmos as restrições e criarmos dificuldade para o crescimento das cidades e, principalmente para a oferta de moradias, as consequências serão desastrosas para toda a sociedade como: aumento de favelas e invasões, aumento significativo do preço de venda e locação dos imóveis e a “expulsão” para as cidades vizinhas aumentando, ainda mais, as dificuldades de locomoção.

Quando as cidades crescem, os custos per capita de infraestrutura diminuem, ou seja, é mais barato oferecer, por pessoa, saúde, educação, segurança e transporte desde que, obviamente, haja planejamento neste crescimento.

As áreas de cultura, lazer e entretenimento também são beneficiadas com o aumento populacional de uma cidade, pois quanto mais pessoas vivem em uma região, maior é a viabilidade econômica de bares, restaurantes, espetáculos e, portanto, existe uma oferta maior. Facilmente, podemos observar, pois nas cidades maiores do mundo a oferta destes serviços chama bastante atenção.

Um crescimento desordenado é consequência de um mal planejamento urbano, desrespeito às regras e, principalmente, restrições urbanísticas que, de forma equivocada, muitas vezes buscam limitar o tamanho das cidades.

Nossa cidade de Sorocaba e dezenas de outras de nosso país podem se beneficiar, positivamente, de exemplos já vividos por outras cidades, aprendendo com os erros e acertos de planejamento, ou a falta dele, que impactaram as grandes metrópoles do Brasil e do mundo.

São inúmeros exemplos discutidos durante o processo democrático de aprovação e revisão dos planos diretores e leis de zoneamento. É fundamental discutir para onde nossas cidades devem crescer, a forma como deve ser ocupado o tecido urbano e, principalmente, um planejamento integrado com visão de macrometrópole.

É a grande dificuldade, pois as discussões são municipais e com total autonomia para os vereadores e prefeitos eleitos em cada uma das cidades da região metropolitana e até do conjunto das regiões metropolitanas.

O grande dilema precisa começar a ser discutido em um foro de prefeitos com apoio dos governadores e do estatuto da metrópole que foi aprovado em 2016, também com esses objetivos.

A discussão de mobilidade, que voltou às manchetes e discussões após a greve dos caminhoneiros, também é fundamental que seja feita de maneira intermunicipal para encontrar um novo modal de transportes municipais e intermunicipais, de pessoas e cargas, para nos deixar menos dependentes de estradas, pneus e petróleo.

O planejamento urbano pode contribuir, em muito, para diminuir os deslocamentos ao levar o trabalho, estudo e outros serviços perto das residências e as residências mais próximas, também, de tudo isso.

A maior parte dos planos diretores que foram elaborados, após o estatuto das cidades, buscaram separar as regiões residenciais, comerciais, centrais e industriais.

Os modelos mais modernos interagem de forma equilibrada com empreendimentos multiusos e fomentando a oferta de residência nas regiões centrais das cidades (onde se concentram os empregos) e levar empregos para as regiões mais periféricas das cidades, onde se concentram as residências.

De uma forma ou de outra, a discussão, deste tema, é sempre importante para buscarmos uma cidade com mais qualidade de vida e alegrias para os cidadãos.

Cruzeiro do Sul On line 13/06/2018

Flavio Amary é presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) e reitor da Universidade Secovi – famary@uol.com.br

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