Desemprego é menor no interior do Brasil, mas ele concentra quase dois terços da informalidade, diz IBGE

RIO  – O desemprego é menor nos municípios do interior do Brasil, mas ele concentra quase dois terços (62%) do total de trabalhadores informais do país. Os dados são de levantamento inédito feito pelo IBGE, a partir de dados da pesquisa Pnad Contínua, do primeiro trimestre de 2019. O estudo também mostra que a renda média dos trabalhadores fora dos grandes centros é 18% menor do que a de quem trabalha em região metropolitana.

Para chegar a esse recorte territorial, o interior foi considerado como todos os municípios do estado, excluída a região metropolitana, quando existir, e a capital. Com relação a taxa de desemprego, apenas quatro regiões de interior tiveram desemprego maior que o índice de sua capital ou região metropolitana: Rio Grande do Norte, Alagoas, Mato Grosso do Sul e Goiás.

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A informalidade no interior é maior que nas regiões metropolitanas, à exceção dos estados de São Paulo e Santa Catarina. Quanto à proporção dessa população, o país tem 13 estados com pelo menos metade de seus trabalhadores do interior trabalhando sem carteira assinada.

Todos esses locais estão no Norte e Nordeste, sendo que o interior do Amazonas tem o maior percentual, com 71,7% de informais. Já o interior de Santa Catarina tem a menor taxa, com 19,4% de seus ocupados na informalidade.

O diretor-adjunto de Pesquisas do IBGE e especialista em trabalho e rendimento, Cimar Azeredo, ressalta a necessidade de se identificar as diferenças entre os mercados de trabalho do interior e das regiões centrais para o planejamento de políticas públicas e a relevância desse tema na agenda internacional.

Ele disse que essas diferenças de qualidade do emprego refletem a concentração de indústrias, setor que mais emprega com carteira, nos grandes centros e um interior ainda bastante dependente da agricultura, onde a informalidade historicamente é alta.

– A indústria, apesar de ter sido um dos grupamentos que mais sentiu a crise econômica, continua sendo um dos mais formalizados. Além disso, as grandes atividades industriais demandam, ao longo da sua cadeia produtiva, a prestação dos mais diversos tipos de serviços, inclusive especializados, com elevados níveis de remuneração, o que propicia a geração de emprego e renda também no setor terciário – explica Cimar.

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Com relação aos rendimentos, enquanto os trabalhadores das regiões metropolitanas recebem, em média, R$ 2.422 mensais, os do interior ganham R$ 1.987, reflexo da alta informalidade, setor da economia onde se recebem salários menores.

No Espírito Santo, por exemplo, enquanto um trabalhador do interior recebia R$ 1.725, um da capital ganhava R$ 4.653, a maior diferença encontrada, de RS 2.928. Já Rondônia teve a menor diferença, de R$ 514, onde o rendimento médio do interior foi de R$ 1.736, contra R$ 2.250 em Porto Velho.

Os menores ganhos mensais se concentraram no interior das regiões Norte e Nordeste, sendo o mais baixo no Amazonas, com rendimento médio de R$ 1.016. As regiões de interior com os maiores rendimentos estão nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, todos acima de R$ 2.000.

– Essa relação é nociva ao trabalhador pela ausência dos benefícios e por representar redução significativa na arrecadação do governo e na produtividade da economia, mas a informalidade também propicia outras distorções. Ela afetará a população de forma geral, mas vai se apresentar de forma mais perversa para a população dos estratos de renda mais baixo, para as mulheres, a população preta ou parda e os menos escolarizados – conclui o diretor-ajunto do IBGE.

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Data: 24/05/2019